Meu Apolo entra em conflito com meu Dionísio com frequência*;
e depois se amam loucamente.
A loucura requer paciência
em seu contraste permanente.
O prazer nocivo oscila
entre poder e razão.
Quando nossa alma vacila
encontramos alguns sins; e um não.
Recobertos por espasmos alarmantes,
sonhamos sonhos pouco reais.
E não me importa o quanto cantes
Meus prazeres, hoje, valem mais.
E sobre a segunda lua
Reclamo meus sentimentos febris.
E aquela que, outrora, fora tua
Agora tem olhos de Anis.
*Apolo é o nosso Deus interior e Dionísio é o Deus exterior.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Furor
Em cima da mesa,
uns copos cheios de amores vazios
e um pouco de espuma e restos.
Dentro de mim,
a desesperança genuína -
que não esconde-se mais
refletida nas lágrimas bêbadas que dançam pelo semblante
rubro e triste, um pouco envelhecido pelas olheiras azuis.
Perto da mão,
jaz todo o destino coberto pelo nimbo que vaga pelo céu
que hoje não passa de uma massa um tanto insípida,
porque aqui não existe mais cor.
Embaixo do coração,
pulsa a violenta vontade de acordar
e ver que tudo não passou de um monte de frascos repletos de ilusão
e que a vida continua por mais que a tv esteja chiando.
Ao redor dos olhos,
sombras atacam sem piedade
a garota que mora ao lado
e que eu nunca vi.
Grudadas no céu,
acendem-se estrelas frias
que ao longe rimam com vagalumes
e gritam em uníssono, ao mundo,
que as coisas não passam de mentiras piedosas.
Entre minha cabeça e meus medos
estão todos os dissabores desta passagem amarga
repleta de reminiscências e condolências,
sobre tudo e ao nada...
E nas entrelinhas das minhas tortas frases
está escondido todo o sentimento meu
que nunca morrerá,
por mais que o veneno seja forte e a solidão, enlouquecedora.
uns copos cheios de amores vazios
e um pouco de espuma e restos.
Dentro de mim,
a desesperança genuína -
que não esconde-se mais
refletida nas lágrimas bêbadas que dançam pelo semblante
rubro e triste, um pouco envelhecido pelas olheiras azuis.
Perto da mão,
jaz todo o destino coberto pelo nimbo que vaga pelo céu
que hoje não passa de uma massa um tanto insípida,
porque aqui não existe mais cor.
Embaixo do coração,
pulsa a violenta vontade de acordar
e ver que tudo não passou de um monte de frascos repletos de ilusão
e que a vida continua por mais que a tv esteja chiando.
Ao redor dos olhos,
sombras atacam sem piedade
a garota que mora ao lado
e que eu nunca vi.
Grudadas no céu,
acendem-se estrelas frias
que ao longe rimam com vagalumes
e gritam em uníssono, ao mundo,
que as coisas não passam de mentiras piedosas.
Entre minha cabeça e meus medos
estão todos os dissabores desta passagem amarga
repleta de reminiscências e condolências,
sobre tudo e ao nada...
E nas entrelinhas das minhas tortas frases
está escondido todo o sentimento meu
que nunca morrerá,
por mais que o veneno seja forte e a solidão, enlouquecedora.
17-05-08
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Insânia
"A poesia é a insânia. Talvez o gênio seja uma alucinação
e o entusiasmo precise da embriaguez para escrever."
Sêneca
Sêneca
A noite está no seu lugar
Areia movediça. Mausoléu;
certa como rajadas de vento
e distante como explosões
de bolhas submersas.
Sonhos imploram vagas
Vazios. Sedentos;
sopram calor nas vidraças - frias e agora embaçadas
E dançam vertiginosamentea dança dos Reis embriagados.
Luzes condensadas incidem
no centro - entre
Dois balões de oxigênio lubrificado
Fosforescente
Apagam vestígios na argila fresca
enquanto vultos passeiam.
A chuva ausente traz o cheiro
de coisa molhada.
Criatura com medo; E lava até as almas ocres
de lodo. De paixão.
Sons invadem
Atravessam janelas fechadas
Geladas. Cegas
Como as madrugadas silenciosas
que parecem durar pra sempre.
Cacos de vidro rasgam
a pele desidratada e frágil
- Fácil! Pena de fênix.
E escrevem em caleidoscópios de diamantes
a frase que os gnomos gritam ao céu.
22-07-08
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Otimismo
No fim do entardecer premeditado
Existe ainda um misto de cores alvorecentes.
Junto com o vento imaculado
Jaz o nutante sol dos poentes.
Na verdade do horizonte oscilado
Dormem todos os refúgios pagãos.
Cambaleante como o rio inavegado
sofre aquele que dá de cara com os sete chãos.
Certo de que não há mais nada
Cega-se o que vive em constante niilismo
Por mais que a estrela demore a ser gerada
resta-nos, ao menos, um pouco de otimismo
e um brinde ao caos!
Existe ainda um misto de cores alvorecentes.
Junto com o vento imaculado
Jaz o nutante sol dos poentes.
Na verdade do horizonte oscilado
Dormem todos os refúgios pagãos.
Cambaleante como o rio inavegado
sofre aquele que dá de cara com os sete chãos.
Certo de que não há mais nada
Cega-se o que vive em constante niilismo
Por mais que a estrela demore a ser gerada
resta-nos, ao menos, um pouco de otimismo
e um brinde ao caos!
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Frascos
Restam faíscas de lembrança
Dançando entre a chuva e o véu
Onde um outrora brilhante céu
Agora chora sua crua desesperança.
Então vivem no marasmo
Querubins que choram um amor esquecido.
Adejam diante do sentimento adormecido
Recobertos por um sôfrego espasmo.
E eu encontro-me inerte e desvairada
Andando com gatos enxotados
Tropeçando nos meus versos vomitados
Sem ser nada se não uma alma desencorajada.
Dançando entre a chuva e o véu
Onde um outrora brilhante céu
Agora chora sua crua desesperança.
Então vivem no marasmo
Querubins que choram um amor esquecido.
Adejam diante do sentimento adormecido
Recobertos por um sôfrego espasmo.
E eu encontro-me inerte e desvairada
Andando com gatos enxotados
Tropeçando nos meus versos vomitados
Sem ser nada se não uma alma desencorajada.
29-05-08
domingo, 29 de junho de 2008
Amarelo
Já vai longe e ausente
Uma primavera sem lembrança
E um verão que fora quente
Agora lamenta-se em memórias de criança.
E junto deles vão embora os outonos
Repletos de girassóis sem donos.
É como se fosse amor louco
Isso que arde em espasmo que apetece
Dentro do meu peito que não é pouco
de emoção que mata e aquece
e que traz com ela auroras de outonos
coloridas com girassóis que não têm donos.
Então, num inverno eterno
Jaz meu coração vencido,
que não tem mais sentimento terno
E, por culpa do veneno, está adormecido.
E ele não irá acordar até que chegue o outono
Trazendo os girassóis e seu verdadeiro dono.
Uma primavera sem lembrança
E um verão que fora quente
Agora lamenta-se em memórias de criança.
E junto deles vão embora os outonos
Repletos de girassóis sem donos.
É como se fosse amor louco
Isso que arde em espasmo que apetece
Dentro do meu peito que não é pouco
de emoção que mata e aquece
e que traz com ela auroras de outonos
coloridas com girassóis que não têm donos.
Então, num inverno eterno
Jaz meu coração vencido,
que não tem mais sentimento terno
E, por culpa do veneno, está adormecido.
E ele não irá acordar até que chegue o outono
Trazendo os girassóis e seu verdadeiro dono.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Conscientizando
Nas tuas palavras de consolo
jaz meu mais fiel e puro sentimento.
Conforme os passos ecoam
Tua sombra me traz um temor
e o que outrora fora ruído
agora é qualquer outra coisa, amor.
Sem sentido esse desfragmentado
suor nada salgado
Que raspa a língua e induz ao aglomerado
de sentidos e gestos e toques
Me consola e me amortece
E quando tudo parece perdido
soa.
Teus olhos de estrela cadente
pousados no meu seio dormente
esquentam e esfriam em constante mudança
e vibram ao barulho de qualquer dança
E o que outrora fora sentimento de criança,
Agora é qualquer outra coisa, amor.
Na noite cálida e febril
gostaria de tocar o céu ao teu
e dormir devaneando lembranças hostis
de ontens que deixaram gosto de cinzas
na minha boca mofada
que implora por frescor quando não há mais
nada.
Suas feridas abertas acalmam-me
nas madrugadas frias e sem cor
que concebem auroras brilhantes
que mal sabem o que realmente acontece
quando algo que outrora fora verdadeiro
ainda o é, amor.
jaz meu mais fiel e puro sentimento.
Conforme os passos ecoam
Tua sombra me traz um temor
e o que outrora fora ruído
agora é qualquer outra coisa, amor.
Sem sentido esse desfragmentado
suor nada salgado
Que raspa a língua e induz ao aglomerado
de sentidos e gestos e toques
Me consola e me amortece
E quando tudo parece perdido
soa.
Teus olhos de estrela cadente
pousados no meu seio dormente
esquentam e esfriam em constante mudança
e vibram ao barulho de qualquer dança
E o que outrora fora sentimento de criança,
Agora é qualquer outra coisa, amor.
Na noite cálida e febril
gostaria de tocar o céu ao teu
e dormir devaneando lembranças hostis
de ontens que deixaram gosto de cinzas
na minha boca mofada
que implora por frescor quando não há mais
nada.
Suas feridas abertas acalmam-me
nas madrugadas frias e sem cor
que concebem auroras brilhantes
que mal sabem o que realmente acontece
quando algo que outrora fora verdadeiro
ainda o é, amor.
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